Sobre o Pai em Luta: FOD*-SE O SISTEMA

Calaram-me, pisaram-me, tentaram tirar-me os filhos — agora sou eu que vou à guerra.

Este site não nasceu de inspiração, motivação ou esperança.
Nasceu de uma guerra real, suja, emocionalmente violenta, onde pais como eu são tratados como criminosos por quererem simplesmente estar presentes na vida dos próprios filhos.

Nasceu da merda que um homem precisa de engolir todos os dias enquanto o sistema lhe cospe na cara. Da humilhação constante de ser visto como um “extra”, um acessório parental, um problema a contornar.
Nasceu da violência psicológica que vivi dentro de casa e que depois continuou cá fora — na justiça, nas instituições, na forma como olham para mim quando digo que quero participar, decidir, cuidar.

Fui vítima de violência doméstica psicológica. E não, não tenho vergonha de escrever isto.
Durante muito tempo calei. Aguentei. Engoli em seco. Fiz de conta que estava tudo bem. Afinal, quantas vezes ouvimos que “homem que é homem não se queixa”? Que tem de aguentar? Que não pode mostrar fraqueza?

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Homem que é homem protege os filhos mesmo quando está a ser destruído por dentro.
Mesmo quando está a ser ridicularizado, desacreditado, esvaziado emocionalmente, constantemente ameaçado, manipulado, afastado.
Mesmo quando o sistema lhe vira as costas e lhe enfia a faca.

Hoje, faço acompanhamento psiquiátrico e psicológico. E não é por fraqueza — é por sobrevivência. Porque se não o fizesse, já tinha arrebentado com tudo, comigo incluído.
E sabes o que me revolta?
Não é ter chegado a esse ponto.
É saber que há milhares de pais neste país empurrados para o fundo do poço, tratados como invisíveis, enquanto se bajula mães tóxicas com um paternalismo nojento.
Ouve-se: “A senhora é a mãe, sabe o que é melhor.”
Pois sabem o caralho.

Eu luto todos os dias. Luto para estar presente, para abraçar os meus filhos, para levá-los à escola, para vê-los crescer.
Mas nesta merda de sistema, ser pai ativo é pedir demais.
É ter de implorar por tempo, justificar cada gesto, cada presença, cada respiração.
É ser questionado, duvidado, desvalorizado.
Tentaram afastar-me. Tentaram pintar-me como instável, como ameaça, como obstáculo.
Tentaram transformar o meu amor de pai em argumento contra mim.

Este site nasceu para dizer: chega.
Não é neutro. Não é politicamente correto. Não quer agradar a ninguém.
É um grito de revolta, uma resposta crua à hipocrisia que se vive todos os dias nos tribunais, nos serviços sociais, nas escolas, na comunicação entre pais e mães.

É um murro na mesa.
Um murro no estômago do sistema que protege mães abusivas e castiga pais que se envolvem.
Sim, porque neste país, ser pai envolvido virou ato de resistência.
Quando a mãe grita, é emoção.
Quando o pai se impõe, é agressivo.
Quando a mãe ignora mensagens, está ocupada.
Quando o pai exige resposta, é controlador.
Foda-se.

Eu não criei isto para fazer amigos.
Criei isto porque estou farto.
Farto de ser tratado como um problema só por querer fazer parte.
Farto de ver outros pais a passarem pelo mesmo.
Farto de nos obrigarem ao silêncio, à resignação, à submissão.

Se és pai e te revês nisto — este espaço é teu.
Se estás exausto de ser tratado como cidadão de segunda.
Se já te chamaram louco por exigir o mínimo.
Se te obrigaram a calar para manter a paz.
Chega.

Aqui ninguém te manda calar.
Aqui não há máscaras.
Aqui és ouvido.
Aqui és respeitado.

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